Indicações da semana (15/08) | O que assistir nesta semana

Toda semana, conteúdos em destaque — com trailer, nota TMDB e o motivo da nossa recomendação.

Se você está na dúvida sobre o que assistir, aqui indicamos toda semana escolhas certeiras de filme e série para você curtir.

As indicações da semana chegaram com dois filmes que já venceram Oscar de Melhor Filme e uma série que prova que ação bem-feita não precisa reinventar a roda.

O Poderoso Chefão é o tipo de filme que todo mundo cita, mas nem todo mundo assistiu de verdade — e revisitar Coppola sempre revela alguma camada que passou despercebida da última vez. O Silêncio dos Inocentes é um dos poucos filmes de terror psicológico a levar o Oscar principal, e continua sendo referência em como construir tensão por meio de diálogo, não de susto barato. E Reacher pega a fórmula clássica do herói solitário que chega a uma cidade e desmonta uma conspiração inteira — e executa isso com uma consistência que poucas séries de ação sustentam por três temporadas.

Três décadas diferentes, três formas diferentes de contar histórias, mas as três têm uma coisa em comum: personagens que entendem exatamente o jogo que estão jogando e jogam melhor que todo mundo ao redor.

Comenta aqui embaixo se já viu algum, o que achou. E fala o que quer ver por aqui nas próximas semanas — mais clássicos, mais ação, mais suspense? Tô curioso.

Pôster de O Silêncio dos Inocentes (1991), indicação da semana
Filme

O Silêncio dos Inocentes (1991)

★★★★☆ 8.3 Crime, Thriller, Drama
118 min
Por que assistir

Clarice Starling é enviada para entrevistar Hannibal Lecter — um psiquiatra canibal preso havia anos — na esperança de que ele ajude a encontrar outro assassino em série ainda solto. Ela é jovem, inexperiente, e Lecter percebe isso no segundo em que ela entra na cela dele.

O que torna O Silêncio dos Inocentes tão eficaz é que praticamente todo o terror do filme acontece em conversas. Jonathan Demme filma os diálogos entre Clarice e Lecter quase sempre em close direto no rosto, olhando para a câmera como se estivesse olhando para você — e essa escolha simples transforma cada troca de palavras num confronto físico sem ninguém encostar em ninguém.

Anthony Hopkins está em tela por menos de vinte minutos no total, e ainda assim construiu um dos vilões mais icônicos do cinema com controle absoluto sobre cada gesto — a forma como ele nunca pisca no momento certo, como a voz nunca sobe mesmo nas ameaças mais explícitas. Jodie Foster equilibra isso com uma Clarice que é competente sem nunca deixar de parecer vulnerável, o que torna a tensão real.

Ganhou os cinco principais Oscars. Continua sendo aula de como fazer terror sem depender de choque visual.

Pôster de O Poderoso Chefão (1972), indicação da semana
Filme

O Poderoso Chefão (1972)

★★★★☆ 8.7 Drama, Crime
175 min
Por que assistir

Michael Corleone entra na sala prometendo que nunca vai ser como o pai. A família toda acredita nele. O espectador também acredita — por um tempo. E é ver essa promessa desmoronar, cena a cena, decisão a decisão, que faz O Poderoso Chefão ser mais do que um filme de máfia.

Coppola filma poder como uma coisa silenciosa. As decisões mais violentas do filme acontecem em salas fechadas, com portas se fechando devagar, câmeras que recuam no momento exato em que a conversa vira ameaça. A cena do batizado — cortando entre a cerimônia e uma sequência de assassinatos coordenados — é ensinada em escola de cinema até hoje porque mostra exatamente como montagem pode fazer o trabalho que diálogo não precisa fazer.

Al Pacino constrói a transformação de Michael com um controle extraordinário: o jovem que hesita no início do filme desaparece aos poucos, sem cena de virada explícita — você só percebe, num certo ponto, que o Michael que está na tela já não é mais aquele que prometeu ficar longe dos negócios da família.

Mais de cinquenta anos depois, continua sendo referência do gênero que ajudou a criar.

Pôster de Reacher (2022), indicação da semana
Série

Reacher (2022)

★★★★☆ 8.1 Action & Adventure, Drama, Crime
51 min Em exibição
Por que assistir

Jack Reacher desce de um ônibus numa cidadezinha da Geórgia, sem telefone, sem endereço fixo, sem nada além de uma escova de dente no bolso. Em menos de um dia, é preso por um assassinato que não cometeu. A partir daí, ele desmonta sozinho uma conspiração que envolve praticamente toda a cidade.

Reacher funciona porque não tenta ser mais complexo do que precisa ser. Cada temporada adapta um livro diferente da saga de Lee Child, com histórias independentes que não exigem maratonar tudo em ordem para entender o que está acontecendo — o que torna a série incomumente fácil de entrar a qualquer momento.

Alan Ritchson constrói o personagem com uma mistura específica de força física bruta e raciocínio quase matemático — ele resolve problemas de investigação com a mesma frieza calculada que usa para resolver uma briga. Tem cenas de ação em que ele antecipa os movimentos do adversário antes de agir, e a série deixa isso bem visível.

As três temporadas mantêm acima de 90% no Rotten Tomatoes — consistência rara para séries de ação que costumam cair de qualidade depois da primeira leva de episódios.

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