Indicações da semana (24/07) | O que assistir nesta semana

Toda semana, conteúdos em destaque — com trailer, nota TMDB e o motivo da nossa recomendação.

Se você está na dúvida sobre o que assistir, aqui indicamos toda semana escolhas certeiras de filme e série para você curtir.

Alan Turing quebrou o código dos nazistas. James Donovan negociou a troca de um espião no meio da Guerra Fria. Charlie Heller decodifica mensagens para a CIA até o dia em que decide parar de decodificar e começar a agir. As indicações da semana giram em torno de gente que trabalha nos bastidores — e do momento em que sair dos bastidores se torna a única opção.

Ponte dos Espiões é Spielberg no seu registro mais contido: um advogado comum jogado no centro da Guerra Fria, negociando algo que ninguém mais tinha coragem de negociar. Operação Vingança troca a negociação pela ação direta — um criptógrafo da CIA que decide caçar sozinho os responsáveis pela morte da esposa. E Operação Lioness segue um programa real de infiltração da CIA, com agentes que vivem entre o campo e a vida pessoal, sem nunca conseguir separar as duas coisas direito.

Três histórias sobre gente treinada para pensar, jogada em situações que exigem agir rápido — e o que sobra deles depois disso.

Comenta aqui embaixo se já viu algum, o que achou. E fala o que quer ver por aqui nas próximas semanas — mais espionagem, mais ação, mais drama histórico? Tô curioso.

Pôster de Ponte dos Espiões (2015), indicação da semana
Filme

Ponte dos Espiões (2015)

★★★★☆ 7.2 Thriller, Drama
142 min
Por que assistir

Rudolf Abel é pego espionando para os soviéticos em plena Guerra Fria. Ninguém quer defendê-lo — é impopular, é perigoso, é político demais. James Donovan, advogado de seguros, aceita o caso porque acredita que até o inimigo merece um julgamento justo. Aí um piloto americano é capturado do outro lado da Cortina de Ferro, e Donovan se torna a única ponte possível entre os dois países.

Spielberg filma isso sem pressa, sem trilha que empurra emoção — deixa a tensão vir do que não é dito. Tem uma cena na ponte Glienicke, no meio da neve, em que a troca de prisioneiros acontece quase em silêncio, e o silêncio pesa mais do que qualquer diálogo pesaria.

Tom Hanks constrói Donovan com uma teimosia calma — ele não grita princípios, ele simplesmente não sai do lugar quando pressionado. Mark Rylance, como Abel, rouba cada cena que divide com Hanks, fazendo o oposto: quase nunca reage, e é exatamente essa ausência de reação que te deixa curioso sobre o que ele pensa.

O ritmo é lento para os padrões de hoje. Mas quem tem paciência sai satisfeito.

Pôster de Operação Vingança (2025), indicação da semana
Filme

Operação Vingança (2025)

★★★☆☆ 6.9 Thriller, Ação
123 min
Por que assistir

Charlie Heller decodifica mensagens para a CIA. É bom no que faz, discreto, o tipo de funcionário que ninguém nota. Até a esposa dele morrer num ataque terrorista em Londres — e a agência decidir que não vai fazer nada a respeito.

Heller chantageia os próprios superiores para ser treinado e vai atrás dos responsáveis sozinho. O filme inverte a lógica do herói de ação convencional: ele não é forte, não é rápido, não sabe atirar direito. O que ele sabe é pensar três passos à frente — e é aí que Operação Vingança encontra sua identidade própria dentro de um gênero cheio de repetição.

Rami Malek constrói Heller com uma rigidez que nunca vira frieza — você vê o luto sob a superfície controlada o tempo todo, mesmo quando ele está calculando a próxima jogada. Laurence Fishburne, como o mentor que vira adversário, traz uma ambiguidade que o roteiro poderia ter explorado mais, mas que ainda funciona nas cenas que tem.

61% no Rotten Tomatoes é um número modesto para um filme que entrega mais inteligência do que a média do gênero.

Pôster de Lioness (2023), indicação da semana
Série

Lioness (2023)

★★★★☆ 8 Drama, War & Politics
43 min Em exibição
Por que assistir

Cruz Manuelos é fuzileira naval recrutada para um programa que a maioria nunca vai saber que existiu — infiltrar mulheres de terroristas por dentro, viver a vida delas, ganhar a confiança delas e trair essa confiança quando chegar a hora. Joe, quem comanda o programa, já fez isso tantas vezes que perdeu a conta de quantas partes de si mesma deixou pelo caminho.

Taylor Sheridan escreve Operação Lioness com o mesmo instinto que fez Yellowstone funcionar — personagens que carregam a violência do trabalho para dentro de casa e não sabem mais separar as duas coisas. A série não romantiza a espionagem. Mostra o custo dela.

Zoe Saldaña como Joe segura o comando com uma dureza que racha em momentos específicos — tem uma cena em que ela precisa dar uma ordem que sabe que vai destruir alguém, e o rosto dela não esconde o preço disso, mesmo quando a voz não hesita. Laysla de Oliveira como Cruz vive o processo oposto: alguém que está aprendendo, em tempo real, o que esse trabalho custa.

A primeira temporada tem altos e baixos de ritmo, mas, quando aperta, aperta forte.

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